Março de 2010 — Nº 011 — Ano 1

 

1. Entrevista - Alfredo Gontijo

2. Abertura da 2ª Conferência Regional Norte de CT&I é marcada por discussão de estratégias em torno do desenvolvimento sustentável 

3. Presidente da ABIPTI propõe revisão na aplicabilidade da Lei de Informática

4. Especialistas apresentam relatórios das Conferências Estaduais de CT&I da região Norte

5. Plano Estadual de C&T do Mato Grosso será atualizado

6. Orçamento da área de C&T no Mato Grosso multiplicou, diz secretário

7. Região Sul terá R$ 700 milhões em 2010 para investimento em C&T

8. Brasil precisa aprender a transferir conhecimento, diz secretário

9. Investimento em ciência e tecnologia no Espírito Santo cresce mais de 10000%

10. Disparidade regional é tema de debate na 4ª Conferência Regional Sudeste de C&T

 

1 - Entrevista - Alfredo Gontijo

   
  O vice-presidente da ABIPTI e presidente do Centro Tecnológico de Minas Gerais (Cetec), Alfredo Gontijo, destaca em entrevista ao Informe ABIPTI os entraves do marco legal na área de ciência, tecnologia e inovação.
  Segundo ele, é urgente a revisão do arcabouço legal para que o Brasil entre na disputa mundial no setor. Gontijo também avaliou a 4ª Conferência Regional Sudeste de Ciência, Tecnologia e Inovação (CRCTI), realizada nos dias 30 e 31 de março em Vitória (ES). Falou ainda sobre o papel dos institutos de pesquisa no país e sobre a importância de se estabelecer uma política agressiva para atrair núcleos de pesquisa e desenvolvimento para empresas. Veja, a seguir, a entrevista na íntegra:

   Como o senhor avalia a 4ª Conferência Regional Sudeste de CT&I e como ela contribuirá para a conferência nacional?
   O evento trouxe já no primeiro dia uma palestra sobre a Petrobras. E hoje o mundo se reduz a petróleo. Desta forma é uma leitura muito interessante. É importante ver como esta companhia pode ser um agente propulsor de inovações e de estímulo na área de ciência, tecnologia e inovação.

   As discussões sobre a consolidação do arcabouço legal e a interação com órgãos de controle, em que eu estive presente, também foram muito ricas, e mostraram que esta é uma questão impeditiva da maior relevância para o avanço da ciência e tecnologia.

   O arcabouço legal atua como um órgão de inércia, um órgão repressor, na concepção plena da palavra. Para que a ciência, tecnologia e inovação possam ocorrer no país na plenitude que precisa para levar o Brasil a uma condição de país realmente desenvolvido, competitivo, é preciso repensar este modelo.

   Em todas as conferências é unânime esta opinião de que é preciso modificar o marco legal. Mas o senhor acredita que de fato sairá algo concreto dessa rodada de eventos, que termina em maio em Brasília com a 4ª Conferência Nacional de CT&I? Como sair do discurso para a prática?
   O poder jurídico e toda essa parte do arcabouço legal é o setor mais conservador que existe na estrutura social do Brasil hoje. Então quando você tem uma estrutura dessas, as mudanças se dão de forma muito lenta. Embora lentas e graduais, elas serão feitas. Não dá para você pensar um país sem que estas mudanças sejam contempladas.

   Quais os principais gargalos hoje do marco legal?
   Muitas das leis modernas que estão sendo elaboradas exatamente para promover a abertura do marco legal encontram barreiras intransponíveis, que as tornam ‘letra morta’. Isso eu considero um fator que precisamos resolver.

   Em segundo lugar, eu destacaria que muitas das ações de controle estão estruturadas a partir da lógica da governança baseada em atividade meio. Eles não observam muito a questão do resultado. Acho que este é um grande gargalo. E aí temos toda estrutura de controle montada para impedir que isso ocorra (resultados). Só há muitas avaliações em cima do processo em si.

   A Conferência Regional Sudeste conseguiu apontar propostas consistentes para mudar esse quadro?
   Para mudar não, porque a gente terá que pensar essas ações exatamente a partir daqui. São questões muitos difíceis de serem encaminhadas, mas que precisam ser trabalhadas sob o risco do sistema não avançar.

   Então a minha avaliação é que o diagnóstico está muito bem feito. Estamos agora na fase de elaborar propostas exatamente para encaminhar essas questões, para ver como se produzem essas mudanças radicais que se fazem necessárias neste momento para que realmente a gente faça uma inserção globalizada independente.

   Na opinião do senhor, qual a medida prioritária da região Sudeste que deve ser levada em conta para dinamizar a área de C&T?
   Essa questão do arcabouço legal é sem dúvida nenhuma prioritária. A questão que me coube refletir, que é a reestruturação dos institutos de pesquisa, eu considero também da maior relevância. Acho que é uma questão que precisa ser priorizada.

   Penso que novos institutos a partir do zero precisam ser criados. Precisamos ter uma política agressiva para atrair núcleos de pesquisa e desenvolvimento para empresas e isso significa uma forma nova de pensar institutos tecnológicos, que são ações de pesquisa e desenvolvimento dentro das empresas.

   E acredito que precisamos dinamizar fortemente essa cultura dos parques tecnológicos, dos parques de ciência. Porque isso é uma versão contemporânea desses institutos tecnológicos, que fazem a mediação eficiente, rápida e ágil entre conhecimento gerado na base científica, nas universidades, para uma base industrial forte na forma de produtos no setor empresarial.

   Como o senhor avalia o papel dos institutos de pesquisa hoje no país?
   
Os institutos, aqueles tradicionais, como é a minha instituição (Cetec), que estão hoje com 40, 50 anos de idade têm uma participação bastante acanhada. Dá para entender isso na lógica histórica do que eles estão vivendo. Muitos deles fecharam, alguns estão renascendo com bastante exuberância. Mas a participação deles, que é decisiva nesse complexo sistema de ciência, tecnologia e inovação, é acanhada se comparado aquilo que eu acredito que realmente eles podem e devam fazer.

   Como o senhor acha que devem ser tratadas as disparidades regionais na Conferência Nacional para se fechar uma agenda nacional de CT&I?
   
As diferenças regionais não têm mais o cunho somente geográfico. É possível encontrar competências e excelências em determinadas áreas nas mais variadas regiões do país. Então a leitura das desigualdades regionais não passa mais por uma leitura estritamente de localização geográfica.

   Ela tem que ser permeada por uma lógica completamente diferente, que observe critérios como: que parte do país você tem uma excelência, qual a fragilidade daquela área, como é que você resolve aquela fragilidade. Trata-se de se estabelecer um mapa das fortalezas e das fragilidades do país.

   Não só pela leitura regional, mas pela própria competência, pela excelência dos grupos de pesquisa instalados, pelos resultados, pela geração do conhecimento, pelo parque industrial. É essa metodologia que eu acho que já está sendo criada e que precisa ser avançada. Não penso mais também em termos de desigualdade de profissionais. Temos excelentes pesquisadores por todo o país.

voltar


2 - Abertura da 2ª Conferência Regional Norte de CT&I é marcada por discussão de estratégias em torno do desenvolvimento sustentável 

   Nos últimos anos, a região Norte alcançou avanços significativos no quesito desenvolvimento tecnológico e sustentável, embora os resultados ainda não sejam compatíveis com o que ela precisa para ganhar mais competitividade. A conclusão foi compartilhada por gestores do setor na abertura da 2ª Conferência Regional Norte de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I), que aconteceu em Belém (PA), nos dias 18 e 19 de março.

   Após a execução do Hino Nacional, sentaram-se à mesa o diretor regional Norte do Fórum de Secretarias Municipais da área de C&T, Reginaldo Vieira; o presidente do Conselho Nacional de Secretários para Assuntos de Ciência, Tecnologia e Inovação (Consecti), René Barreira; o secretário de Estado de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia do Pará, Maurílio de Abreu Monteiro; o secretário executivo do MCT, Luiz Antonio Elias; o secretário geral da 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, Luiz Davidovitch; e o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), Odenildo Teixeira. A presidente da ABIPTI, Isa Assef dos Santos, esteve presente na solenidade.

   “A consolidação do Sistema Nacional de CT&I para o desenvolvimento sustentável do país é irreversível. A sociedade brasileira, a comunidade acadêmica, todas as entidades envolvidas não podem aceitar recuo. Precisamos avançar cada vez mais nessa área - nesse sistema estratégico - para o desenvolvimento do país. Não teremos desenvolvimento no agronegócio, saúde, educação ou nas cidades sem a participação da ciência e da tecnologia”, lembrou René Barreira, presidente do Consecti.

   Luiz Antônio Elias, que representou o ministro da C&T, Sérgio Rezende, se mostrou otimista em relação ao futuro do setor. “Em 2007 tínhamos uma Lei Estadual de Inovação e hoje temos quase 13. Tenho certeza que no fim deste ano teremos pelo menos 15 - o que garantirá a perenização do processo de desenvolvimento tecnológico e sustentável”, disse.

    De acordo com o secretário, o grande desafio, também apontado pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva, é conseguir revisar o plano nacional de CT&I de forma que seja estabelecido um procedimento para alcançar um Plano de Desenvolvimento Sustentável para os próximos dez anos (de 2011 a 2020).

   A Conferência do Norte mostrou que a quase totalidade dos Estados já realizaram suas conferências estaduais e promoveram a interiorização do debate sobre o tema. O evento é uma importante etapa na elaboração do relatório da região Norte, a ser apresentado e discutido na 4ª Conferência Nacional de CT&I, que ocorrerá em Brasília (DF), de 26 a 28 de maio de 2010.

   Eixos temáticos
   A reunião aconteceu no Hangar Centro de Convenções da Amazônia, em Belém, e contou, essencialmente, com a participação de gestores de toda a região Norte, incluindo universidades, fundações de apoio à pesquisa (FAPs), secretarias estaduais, entre outras entidades ligadas ao setor. Segundo a organização do evento, mais de 1,4 mil pessoas fizeram a inscrição.

   Durante os dois dias de conferência, foram abordados quatro eixos temáticos: Sistema Nacional de CT&I; Inovação na Sociedade e nas Empresas; Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação em Áreas Estratéticas; Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Social. Após os debates foram definidas as prioridades para Amazônia dentro da Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação que o governo federal vai implementar até o final deste ano. 

voltar


3 - Presidente da ABIPTI propõe revisão na aplicabilidade da Lei de Informática

   A presidente da ABIPTI, Isa Assef dos Santos, promoveu ampla discussão sobre a importância da mudança na Lei de Incentivo à Informática, durante a 2ª Conferência da Região Norte de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I), que aconteceu em Belém nos dias 18 e 19 de março. De acordo com ela, o setor sofre com a falta de recursos e encontra também obstáculos para aplicabilidade da verba.

   A intervenção da presidenta aconteceu na manhã do dia 19, durante as discussões do Eixo 2, intitulado “Inovação na sociedade e nas empresas”. Para melhorar a aplicabilidade desses recursos na área de ciência e tecnologia, Isa propôs que os relatórios das empresas contempladas pela Lei passem a priorizar, para além dos dados quantitativos, a relação dos resultados qualitativos que estão sendo alcançados com os recursos provenientes desta legislação.

   Isa Assef também pediu eficiência na mensuração do desempenho da aplicação da verba. “Esses recursos seriam mais bem aproveitados se tivéssemos essa mensuração (quantitativa). Acho que o governo tem a obrigação de saber se esse dinheiro está bem ou mal empregado”, disse. A presidente pediu que a proposta seja levada a Conferência Nacional de CT&I, que acontecerá em Brasília, de 26 a 28 de maio de 2010.

   Para o professor Ênio Candoti, do Museu da Amazônia (Musa), Isa Assef tocou em um ponto importante. “Serviços e renúncias fiscais não podem ser colocados pelas empresas da maneira que elas bem entendem. Recursos de renúncia fiscal devem ser apresentados com preocupações de avaliação – e não é isso que tem ocorrido na maioria das vezes”, lembrou. Segundo o professor, é preciso ter consciência de que recursos da sociedade não são investimentos financeiros que as empresas “generosamente” empregam com a finalidade social.

   O representante da Federação da Indústria do Estado do Amazonas (Fieam), João Ronaldo Melo Mota, concordou com a proposição da presidenta da ABIPTI, e afirmou que as empresas precisam situar como são utilizados os recursos, uma vez que não são feitos de forma aleatória. “O que a doutora Isa falou é realidade. Na Zona Franca (Manaus) é fácil fiscalizar porque estamos com 500 a 600 indústrias dentro de um território pequeno. Mas no restante do país é diferente, a fiscalização é muito aberta”, concluiu Mota.

   Seção Plenária
   A seção de debates do Eixo 2, que propôs discussões atreladas à temática “Inovação na sociedade e nas empresas”, aconteceu, entre 8h30 e 12h30, no auditório principal do Hangar Centro de Convenções da Amazônia, em Belém.

   O debate transcorreu após as palestras “Inovação na micro e pequena empresa: um desafio na Amazônia”, apresentada por Glauco Gomes de Almeida, representante do Sebrae/Acre; “Inovação nas Organizações Industriais como instrumento de desenvolvimento sustentável”, apresentada por João Ronaldo Melo, da Fieam; e a palestra da gerente de Responsabilidade Social Corporativa do Instituto Nokia de Tecnologia do Amazonas, Luciana Souza, que falou sobre as práticas do instituto.

voltar


4 - Especialistas apresentam relatórios das Conferências Estaduais de CT&I da região Norte

   O Basic, grupo formado pelo Brasil, África do Sul, Índia e China, com intuito de desenvolver ações de adaptação às mudanças climáticas, já faz parte do protagonismo internacional. Para aproveitar as vantagens competitivas do país (riqueza, extensão territorial e litoral, principalmente), é preciso criar medidas para impulsionar o desenvolvimento econômico e ambiental sustentável. A proposta foi compartilhada por especialistas da região Norte, que apresentaram o relatório das Conferências Estaduais de Ciência, Tecnologia e Inovação (CECTIs) após a abertura da 2ª Conferência Regional Norte de CT&I, no dia 18 de março, em Belém.

   A discussão girou em torno de metas para a promoção da CT&I como componente para o desenvolvimento sustentável. Segundo Luiz Davidovich, secretário-geral da Conferência Nacional, um dos principais desafios para o Brasil nos próximos anos é intensificar ações e iniciativas, melhorar a educação em todos os níveis e fortalecer as instituições brasileiras internacionalmente.

   “Os participantes deste evento tem que ter habilidade e estratégia para determinar grandes temas que alavanque o desenvolvimento sustentável (social, econômico e ambiental) do país nos próximos anos”, lembrou Davidovich.

   Após a apresentação das especificidades de cada Estado (Amazonas, Pará, Tocantins, Rondônia, Roraima, Acre e Amapá) os relatores das conferências estaduais apresentaram os gargalos regionais e as propostas para a promoção da cultura de CT&I. “Por maiores os investimentos nos Estados da região Norte, ainda há uma distância das demais unidades da Federação. Temos que continuar investindo nos Estados que lideram o avanço tecnológico no país, mas temos que investir mais ainda naqueles que compõem a Amazônia, e que se encontram em um grau de desigualdade maior”, lembrou Marcílio de Freitas, secretário de Ciência e Tecnologia do Estado do Amazonas.

   Amazonas e Pará
   Para Marcílio de Freitas, a Política de Estado a ser definida deve levar em consideração a diversidade da Amazônia. Segundo ele, o orçamento público destinado ao Estado do Amazonas não é suficiente para atender a demanda de projetos e programas de qualidade.

   “O Amazonas tem necessidade de ampliar e consolidar novas fontes de financiamento de ciência e tecnologia”, adiantou. O secretário destacou também a importância de interiorizar as ações de C&T, para que os projetos alcancem todos os municípios do Estado.

   João Crisóstomo Weyl, secretário-adjunto da Secretaria de Estado de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia (Sedect) do Pará apresentou a proposta do Estado para a conferência. Segundo ele, as prioridades incluem um projeto de desenvolvimento estratégico, o aumento do orçamento para fomento à pesquisa, investimentos em educação, como expansão de programas de pós-graduação e a criação de uma nova universidade federal no Estado, além do estabelecimento de uma política mais agressiva na formação de recursos humanos em todas as áreas do conhecimento.

   Tocantins e Rondônia
   Segundo a assessora técnica da Secretaria de Ciência e Tecnologia (Sect) do Tocantis, Maria Amélia Maciel, a conferência estadual deve ser repetida anualmente para melhorar a definição das ações de promoção da cultura de pesquisa. “O Estado é novo, a secretaria é recente, mas o debate já surtiu um efeito enorme, como a mobilização dos profissionais para discussão, já que não temos uma Fundação de Apoio à Pesquisa (FAP), nem Lei de Inovação”, adiantou.

   Maria Amélia apresentou propostas pertinentes como implementar a disciplina ciência e tecnologia para o desenvolvimento sustentável ainda na educação básica. A assessora também propôs investimentos na formação de pesquisadores, com a idéia de fixar os doutores nas redes locais por meio de bolsas de produtividade, já que a região carece de pesquisadores e centros de pesquisa.

   Rondônia também é uma das únicas unidades da Federação a não possuir FAP. Da mesma forma não têm Secretaria de Ciência e Tecnologia. Os trabalhos do setor são realizados em uma unidade da Secretaria de Planejamento (Seplan). Segundo Emanuel Mirtil, assessor técnico de C&T da Seplan, a implantação da universidade estadual é uma das principais ações propostas durante a conferência local. “A Universidade Federal tem trabalhado muito, mas os resultados não chegam à sociedade”, lembrou.

   Roraima e Amapá
   Já para Roraima, a prioridade é o setor energético, uma vez que o Estado depende da energia produzida pela Venezuela. Os especialistas também propuseram a criação de uma FAP para a região. Foram discutidos ainda eixos como mudanças climáticas; Amazônia; biodiversidade e recursos naturais; saúde e meio ambiente e capacitação para o desenvolvimento social.

   Aristóteles Viana, secretário de Ciência e Tecnologia do Amapá, sugeriu ações emergenciais para o Norte, como o fortalecimento da política de descentralização, aumento do número de bolsas de iniciação científica e de editais específicos, além da inclusão de pesquisadores de Estados emergentes na região.

   Para o Amapá também estão previstas ações que promovam o fortalecimento de incubadoras de produtos, e incentivem áreas estratégicas como biotecnologia, agricultura, energias renováveis. Outra proposta é a de implementação de uma política de fortalecimento das experiências de desenvolvimento sustentável, principalmente referentes ao patrimônio cultural e voltados à construção de identidade/singularidade regional.

   Acre
   O Acre possui um histórico em incentivo a processos de ciência e tecnologia, baseado na prioridade do uso de recursos naturais locais para a melhoria de qualidade de vida da população.

   Atualmente, o grande desafio do Estado é criar serviços de excelência em desenvolvimento tecnológico que apóiem o desenvolvimento sustentável. O Acre criou o Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FDTC) em 2003, mas ainda não possui FAP. “As instituições tem cobrado, achamos importante, mas temos que elaborar melhor a criação da Fundação para termos uma fonte de financiamentos mais eficaz do que a gerada no Estado”, lembrou o secretário-adjunto da Secretaria de Ciência e Tecnologia, Luis Augusto Azevedo.

   Segundo ele, o que difere a sua região das demais é o uso sustentável da floresta amazônica. As dificuldades estão relacionadas a necessidade de melhoria na infra-estrutura dos laboratórios, além da qualificação dos pesquisadores.

   O Acre possui um plano estadual de CT&I, apoiado pela ABIPTI e pelo MCT. Contudo, ainda carece da integração entre CT&I e setor produtivo. “Somente de dez anos para cá que se desenvolveram empresas no Estado. O setor empresarial ainda é pequeno, mas tem trabalhado para que as empresas possam se estabelecer na região. Fazer a ligação entre ciência e empresa é o grande desafio”, concluiu.

voltar


5 - Plano Estadual de C&T do Mato Grosso será atualizado

   O Plano Estadual de Ciência e Tecnologia do Mato Grosso, lançado em 2000, será modernizado. A informação foi dada no dia 22 de março, em Cuiabá (MT), pelo presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado (Fapemat), João Carlos de Souza Maia, durante o primeiro dia da programação da Conferência Regional Centro-Oeste de CT&I.

   "A proposta é atualizar o plano dentro de uma nova visão porque quando fizemos o nosso planejamento a idéia da inovação tecnológica ainda era incipiente. Nós estamos buscando junto a todas as instituições que fazem parte do Conselho Estadual de C&T uma discussão para fazer o documento", afirmou Maia, em entrevista ao Gestão C&T online.

   Ele destacou que, com as discussões realizadas no âmbito da Conferência Estadual de Ciência e Tecnologia, 90% dessa proposta foi resolvida. "Como prometi aos integrantes da reunião, vamos utilizar o documento advindo de toda a sociedade para poder introduzi-lo no Plano Estadual de C&T", lembrou.

   A idéia é concluir o documento até maio, quando o Estado vai participar da 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, que será realizada em Brasília (DF). O presidente da Fapemat ainda ressaltou a importância de discutir novamente um plano que está defasado. "Sobre o ponto de vista do planejamento, essa iniciativa é fantástica porque nós já fizemos, em primeiro lugar, um plano e agora estamos propondo alterações", disse.

   Na sua opinião, essa ação deve gerar um plano melhor de desenvolvimento da C&T para o Mato Grosso. "Como a Conferência Nacional vai debater o tema Política de Estado para a Ciência e Tecnologia vai ser ótimo porque vamos pegar uma discussão atualizada, resultado do debate com representantes de instituições do setor no Mato Grosso. Vamos apresentar uma proposta baseada naquilo que foi retirado da sociedade", ressaltou.

   Informações sobre as ações da Fapemat podem ser obtidas no site www.fapemat.mt.gov.br.

voltar


6 - Orçamento da área de C&T no Mato Grosso multiplicou, diz secretário

   O orçamento do setor de ciência e tecnologia no Mato Grosso passou de R$ 2,2 milhões, valor destinado até 2007 somente à Secretaria de C&T, para cerca de R$ 60 milhões neste ano. Os números foram apresentados no dia 22 de março, em Cuiabá (MT), pelo titular da pasta no Estado, Chico Daltro, durante a abertura da Conferência Regional Centro-Oeste de Ciência, Tecnologia e Inovação.

   O secretário destacou que esse aumento nos recursos confirma que o Mato Grosso está caminhando efetivamente para o fortalecimento do Sistema Estadual de CT&I, como parte do Sistema Nacional. "A evolução, como determinação do governador Blairo Maggi, se confirma em números de investimento nos projetos que realizamos nesse período", afirmou.

   De acordo com ele, a Secretaria de Estado de C&T (Secitec) saiu de um orçamento anual de R$ 2,2 milhões para R$ 20 milhões. A Fundação de Amparo à Pesquisa do Mato Grosso (Fapemat) também foi contemplada, chegando a casa dos R$ 18 milhões. O setor de educação profissional e tecnológica, que está inserido na área de atuação da Secitec, obteve o mesmo valor na sua receita. "Nós saímos de pouco mais de R$ 2 milhões para quase R$ 60 milhões", citou.

   O secretário destacou que o orçamento da Fapemat e das escolas técnicas de educação profissional e tecnológica está assegurado no percentual de 1% da arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do Estado, que está consignado na Constituição Estadual. "É um recurso vinculado. Desse 1%, 0,5% vai para a Fapemat e 0,5% para a educação profissional e tecnológica", disse.

   Daltro ressaltou que a evolução em recursos financeiros viabilizou ao Mato Grosso, por meio da Secitec e da Fapemat, participar das políticas públicas do governo do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, via MCT e seus órgãos vinculados. "Com isso, foi possível inaugurar um patamar que parecia impossível. Desde 2008, o Estado investiu uma faixa superior a R$ 100 milhões em C&T. Para outras unidades da Federação, maiores e mais ricas, isso ainda pode ser pouco. Mas consideramos um grande esforço aqui no Mato Grosso", destacou.

   Nesse contexto, o secretário agradeceu o MCT e ao governo Lula. Ele lembrou que, por causa da evolução orçamentária a nível federal, com o aumento dos recursos destinados ao MCT, foi possível ampliar a parceria com os Estados brasileiros. No Mato Grosso, Daltro citou iniciativas como o apoio à formação de recursos humanos nas universidades. "Precisamos continuar acelerando o aumento de mestres e doutores nas nossas instituições e estamos avançando", disse.

   A parceria com o governo federal também foi responsável, segundo o secretário, por ampliar o número de projetos de pesquisa científica em todas as áreas, principalmente na produção agropecuária, que é considerada o ponto forte do Estado.

   Na ocasião, ele também destacou a importância da conferência regional contribuir para a construção de políticas públicas de C&T para o desenvolvimento sustentável do país. "Nós estamos convictos de que não haverá desenvolvimento sustentável para nenhuma cidade, Estado, país ou povo se não construirmos tecnologias avançadas", afirmou.

   Informações sobre as ações da Secitec podem ser obtidas no site www.secitec.mt.gov.br.

voltar


7 - Região Sul terá R$ 700 milhões em 2010 para investimento em C&T 

   O MCT irá destinar, em 2010, aos Estados da Região Sul cerca de R$ 700 milhões para investimento na área de C&T, um aumento de 34% quando comparado ao ano passado, período em que o ministério repassou R$ 520 milhões para o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. O crescimento é ainda mais significativo se confrontado ao ano de 2000, quando os três Estados receberam cerca de R$ 85 milhões.

   A informação foi dada no dia 25 de março, pelo secretário executivo do MCT, Luiz Elias, durante a palestra “Política de Estado para a Ciência, Tecnologia e Inovação com vista ao Desenvolvimento Sustentável”, como parte da programação da 1ª Conferência Regional Sul de Ciência, Tecnologia e Inovação, que aconteceu até o dia 26, em Porto Alegre (RS).

   De acordo com Elias, é fundamental que para cada investimento do governo federal os Estados também entrem com uma contrapartida. “Com isso estaremos dando uma redimensão a esse programa e essa estratégia de ação dentro dos seus Estados. Os governadores devem carimbar mais recursos para a área de C&T, investindo em grandes programas nacionais que tenham reflexo no seu território”, disse.

   Na ocasião, o secretário apontou como desafio discutir os institutos nacionais como elemento integrador do país e de funcionalidade das políticas publicas entre as fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) e os órgãos de fomento à produção do conhecimento.

   “É preciso alterar a matriz que dá a idéia de que nós pesquisadores estamos centralmente localizados no seio da atividade acadêmica e muito pouco na atividade empresarial. Em outros países, como a Coréia, EUA e Japão, a centralidade da discussão quanto à produção do conhecimento transborda para a estrutura industrial”, afirmou.

   Em seu discurso, o secretário lembrou que o Sistema Nacional de C&T além de ser recente, não é completo, o que, segundo ele, torna necessária a consolidação de uma política que articule os principais atores nesse processo. Ele citou como exemplo o Sistema Brasileiro de Tecnologia (Sibratec).

   “Um dos elementos centrais para transbordar todas as redes temáticas, grupos de excelência, institutos nacionais e as redes estaduais é por meio do Sibratec. Gostaria que esse ponto fosse debatido ao longo da conferência como um instrumento importante de conexão entre os órgãos de fomento, entre a institucionalidade das redes de pesquisa e o setor empresarial”, destacou.

   Durante a sua apresentação, Elias disse esperar que um dos resultados da conferência seja a integração dos instrumentos entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Finep e a Petrobras. “Se integrarmos as políticas, se integrarmos os Estados, certamente os próximos governos estarão fortemente envolvidos com a inovação e a produção do conhecimento, nos dando elementos necessários para a competitividade do setor industrial”, concluiu.

voltar

8 - Brasil precisa aprender a transferir conhecimento, diz secretário  

   O secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCT, Ronaldo Mota, apresentou no dia 25 de março, a palestra “Papel da Inovação na Sociedade Brasileira”. Ele esteve presente na abertura da 1ª Conferência Regional Sul de Ciência, Tecnologia e Inovação, em Porto Alegre (RS).

   Segundo Mota, o Brasil é um país de sociedade inovadora, mas que não tem, em números significativos, empresas inovadoras. Mesmo diante desse contexto, o país conseguiu dar um salto na produção do conhecimento científico. “Nossa produção científica cresceu a uma taxa de 12% ao ano, ou seja, chegamos em meados da década de 80 produzindo 0,5% da produção científica mundial e hoje estamos em 2,6%”, disse.

   Quanto a essa evolução, Mota fez uma ressalva. De acordo com ele, o Brasil produz conhecimento com muita qualidade, mas ainda se mostra frágil na capacidade de transferi-lo para o setor produtivo. Para o secretário, nenhum país se torna inovador sem ter uma base consolidada de ciência e tecnologia.

   “Temos os elementos básicos para, por meio da inovação, nos afirmarmos como um país capaz de crescer de forma sustentável. E o crescimento sustentável não se dará sem o processo inovativo incorporado na sociedade”, destacou.

   Ao finalizar o seu discurso, o secretário disse que esta conferência se dá num momento de mudança de conceitos e de postura, e de reexaminar as estratégias básicas, contribuições estas que podem ser prestadas pela região Sul. “São três Estados que têm domínio de como se construir uma academia competente e de fazer essa competência transcender seus muros e transformar, em sincronia, em sociedades que são inovadoras”.

voltar

9 - Investimento em ciência e tecnologia no Espírito Santo cresce mais de 10000% 

   Mesmo sendo o membro mais novo do sistema regional de ciência e tecnologia no Sudeste, o Espírito Santo registra aumento exponencial nos recursos aplicados no setor. A Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado saiu de um orçamento inicial em 2005, quando foi implantada, de menos de R$ 1 milhão para R$ 100 milhões em 2009, um salto superior a 10000%.

   Os números foram apresentados no dia 30 de março, em Vitória (ES), pelo secretário de Estado, Paulo Foletto, durante a 4ª Conferência Regional Sudeste de Ciência, Tecnologia e Inovação (CRCTI). Segundo ele, o crescimento é reflexo da postura da atuação do governo federal, que passou de R$ 1 bilhão para R$ 7,3 bilhões em oito anos (2002 para 2010), uma alta de 7,3%.

   “Vale ressaltar que atingimos uma execução orçamentária de mais de 50%, o que demonstra a sincronia com a relevância do tema no cenário nacional”, disse. Folleto também destacou que a atuação do governo do Estado está pautada na promoção de uma educação de qualidade desde os primeiros anos da escola, como forma de garantir a permanência da C&T na pauta local. “Sabemos da importância de se fechar o ciclo do conhecimento, com investimentos desde a educação básica, passando pelo ensino fundamental até o pós-doutorado”, pontuou.

   A secretaria também aposta na difusão do conhecimento como forma de alavancar os investimentos na área. “Trabalhamos com a popularização da ciência, num processo contínuo de aproximação com as instituições e principalmente com os municípios para que se estabeleçam mecanismos que estruturem o saber como política pública”.

   Para ele, a realização da conferência regional no Espírito Santo insere definitivamente o Estado no circuito sudeste, que responde pela maior produção do conhecimento no país. “O nosso evento sem dúvida irá produzir o documento mais robusto para definição dos programas e aplicação dos investimentos que ajudarão o nosso país a ser uma economia estável e sustentável”, concluiu.

voltar

10 - Disparidade regional é tema de debate na 4ª Conferência Regional Sudeste de C&T  

   O segundo dia da 4ª Conferência Regional Sudeste de Ciência, Tecnologia e Inovação (CRCTI), que aconteceu em 31 de março, em Vitória (ES), abriu o diálogo sobre as disparidades intra-regionais. Para o presidente do Fórum Nacional dos Secretários e Dirigentes Municipais de CT&I, Sílvio Ramos, que esteve à frente do eixo “CT&I no desenvolvimento econômico e social das cidades”, é urgente a percepção dessas diferenças para estabelecer políticas articuladas e eficazes.

   “Não adianta gerar riqueza numa ponta, se essas riquezas não podem ser apropriadas pela maioria da população brasileira, isso tanto do ponto de vista da sua localização geográfica, quanto da sua localização na pirâmide social”, destacou. Segundo ele, é preciso um trabalho mais contundente, que englobe não só o MCT, que tem uma secretaria especial para o tema (Secretaria de C&T para Inclusão Social), mas que articule ações junto ao Ministério da Educação e Ministério do Desenvolvimento Agrário.

   Ramos também reivindica junto ao MCT a segmentação dos editais de fomento à CT&I de acordo com o porte das cidades. “Os municípios menores não têm condição de disputarem com os que têm uma estrutura consolidada”, observa. Atualmente o fórum trabalha com categorias, que observa uma escala de ações do município voltadas para o setor de ciência, tecnologia e inovação. “Dividimos em quatro eixos, que vão desde os que não têm nenhum sistema até os que já possuem uma política estabilizada”.

   Ele ainda destaca a necessidade do MCT destinar um volume maior de recursos para os programas desenvolvidos pela Secretaria de Ciência e Tecnologia para a Inclusão Social. Ramos argumentou que hoje 90% do orçamento é oriundo de emendas e somente 10% são recursos próprios. “É preciso ampliar estes recursos para perenizar os programas. As emendas são bem-vindas. Mas elas devem somente encorpar o volume”, diz.

   Para se ter uma idéia da diferença na produção do conhecimento na região Sudeste, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais somam 71 institutos nacionais de ciência e tecnologia, enquanto o Espírito Santo não abriga nenhum. “Mesmo o Estado tendo a menor população e a menor contribuição para o PIB, não quer dizer que não tenha potenciais e oportunidades. Então equilibrar a relação intra-regional é fundamental”, disse. No ano de 2007, os investimentos em ciência e tecnologia na região somaram R$ 4,2 bilhões, mas somente São Paulo foi responsável por R$ 3,5 bilhões.

   “Nas três últimas conferências as discussões passaram muito longe da inserção do município. Agora nós queremos que os Estados desenvolvam planejamentos estratégicos de C&T com a presença dos municípios como atores protagonistas”, concluiu.

voltar


EXPEDIENTE  ______________________________________________

   ABIPTI - Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica

   Presidente:
   Isa Assef dos Santos

   Vice-Presidentes:
   Alfredo Gontijo de Oliveira,
   Antônio Diomário de Queiroz,
   João César Dotto,
   José Geraldo Eugênio de França e
   Michel François Fossy

   Informe ABIPTI

   Jornalista Responsável:
   Bianca Torreão  (DF-3520/JP) -
   bianca@abipti.org.br

   Web Designer:
   Oscar Júnior -
   junior@abipti.org.br  

   Reportagem:
   Bianca Torreão
   
   Isadora Lionço -
   isadora@abipti.org.br

   Apoio:
   Finep - Financiadora de Estudos e Projetos - www.finep.gov.br
   MCT - Ministério da Ciência e Tecnologia - www.mct.gov.br

   Entidades Parceiras:
   Fórum Nacional de Secretários Municipais da Área de C&T
   Conselho Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de CT&I - Consecti
   Conselho Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa - Confap
   Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras - Anpei
   Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores - Anprotec