Abril de 2010 — Nº 012 — Ano 1

 

1. Entrevista - Ary Mergulhão Filho

2. Inicia-se nesta semana a nova fase do PGE da ABIPTI  

3. CDTN lança edital para curso de doutorado

4. PEG entra em nova etapa

5. Tecnologia sustentável: Cetec lança programa socioambiental e estimular ações responsáveis no setor

6. Entib oferece formação técnica e acadêmica em tecnologia industrial

7. Secretário executivo do MCT destaca necessidade de debate desafiador durante a 4ª CNCTI

8. Conferência no Nordeste propõe soluções sustentáveis para os problemas locais

9. Insa e Embrapa apresentam alternativas econômicas para o SemiáridoT

 

1 - Entrevista - Ary Mergulhão Filho

   
     O investimento em recursos humanos nas últimas décadas é o principal fator que tem garantido a evolução do setor de C&T no Brasil. A afirmação é do coordenador da área de ciência e tecnologia da Organização das Nações Unidades para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), Ary Mergulhão Filho.
   Em entrevista exclusiva ao Informe ABIPTI, Mergulhão destaca que a formação de recursos humanos de alto nível é o ponto forte do atual Sistema de Ciência e Tecnologia do país, mas aponta que uma das deficiências é o baixo número de patentes registradas. “Nós precisamos trabalhar o máximo possível para que tenhamos um sistema mais fluído possível, desde a geração de conhecimento até a sua aplicação”, diz.
   Mergulhão fala ainda sobre a importância da 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, que ocorre em maio em Brasília (DF), e as expectativas da Unesco para o evento. Confira, a seguir, a entrevista na íntegra:

     No próximo mês, entre os dias 26 a 28, ocorre em Brasília a 4ª Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia e Inovação. Qual a expectativa do senhor para este evento?

    A minha expectativa e também da Unesco é de que este evento seja um instrumento para atualização da atual política de Ciência e Tecnologia do país. Uma das grandes características dessa conferência é a abrangência que ela tem em termos de participantes. A conferência envolve todos os principais setores da sociedade. Desta forma, será uma oportunidade para provocar a discussão de temas que são fundamentais para o desenvolvimento do Brasil. Outra inovação desta conferência é a inclusão do tema educação no rol das discussões. A qualidade da educação no Brasil é uma preocupação central da Unesco e um dos temas principais da 4ª CNTI.

   O governo federal lançou pela primeira vez em 2007 um plano de ação de longo prazo para área de C&T (Plano Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional – Pacti). Como o senhor analisa esta iniciativa e quais os principais avanços alcançados?

    Esta iniciativa foi um marco. Na minha opinião, a característica mais importante do plano foi ser multissetorial, o enfoque transversal que a ciência e a tecnologia deve ter para uma sociedade. Não é um plano simplesmente do MCT e sim um plano para todo o setor. O que se espera é que a nova política desenhada depois dessa conferência atualize esse plano e que sirva para colaborar com o desenvolvimento de ciência e tecnologia do país de forma transversal.

   Como o senhor avalia o Sistema Nacional de Ciência de Tecnologia e Inovação? Para o senhor, os investimentos do governo para C&T são suficientes?

    Para qualquer setor que você pergunte nenhum vai achar o nível de investimentos suficientes. Realmente nas últimas duas décadas, a evolução dos investimentos em ciência e tecnologia foi muito importante e significativo. Mas em termos nominais jamais serão suficientes.

   O importante é que os indicadores de C&T melhoraram muito. Nós tivemos uma evolução muito grande na formação de recursos humanos de alto nível, com o apoio do CNPq, Capes, Finep, assim como no apoio a empresas.

   Isso reflete em indicadores internacionais, que são importantes, como a participação do Brasil em revistas indexadas. Hoje o país tem aproximadamente 2% de participação, o que é bastante expressivo. Historicamente foi uma evolução muito significativa também.

   Já em relação ao tema patentes, é um campo em que nós precisamos investir mais. O Brasil precisa ter uma presença mais expressiva de patentes no cenário internacional.

   Mas, o nosso Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia é bastante organizado. Essa organização vem de pelo menos 50 anos atrás com a construção de instituições fortes e competentes tanto de fomento como de ensino e pesquisa. Este sistema vem sendo aperfeiçoado com o tempo e ainda mais recentemente com a crescente conscientização geral da importância da ciência e tecnologia para a manutenção da paz e do desenvolvimento social e econômico do país.

   O senhor pode falar um pouco mais sobre os pontos fortes e fracos do sistema?

    Um ponto forte é a formação dos recursos humanos, que já é prioridade do sistema há pelo menos meio século. É necessário, ainda, aperfeiçoar o trabalho em cooperação entre os setores que geram conhecimento e os setores que aplicam este conhecimento, que fazem a aplicação da tecnologia, ou seja, o setor empresarial. Por outro lado é importante fomentar a pesquisa nas empresas. É fundamental que as empresas passem a ser também geradoras de conhecimento. Isto aproximará ainda mais o conhecimento, a engenharia e o mercado. Esta fórmula é vital para que a ciência e a tecnologia atinjam a sua missão maior: melhorar a qualidade de vida da população.

Sempre que essa equação for efetiva, teremos uma resposta certamente muito mais positiva nos indicadores de patentes e na participação das empresas brasileiras no cenário internacional.

   Como a Unesco tem trabalhado para impulsionar a área de C&T no Brasil? Quais as principais ações em curso?

    Nós trabalhamos em conjunto com o governo. Somente com o Poder Executivo temos uma sólida relação de aproximadamente dez anos. Uma das preocupações da Unesco é fazer com que políticas vitais para o Estado, como ciência, tecnologia e educação, sejam realmente políticas de Estado e não políticas de governo. Sejam políticas de longo prazo.

   Desta forma, há dez anos, nós temos um projeto no MCT, cujo objetivo é ‘Elaboração de uma política de ciência e tecnologia de longo prazo para o Brasil’. Essa cooperação é vital para a Unesco, principalmente para o escritório da instituição no país. O nosso interesse é que essas políticas sejam estáveis, que mantenham programas e investimentos, independente de governo, para que o desenvolvimento possa ser realizado de uma forma ininterrupta.

   Também atuamos com o Poder Legislativo. A Unesco vem trabalhando junto às comissões de Ciência e Tecnologia, de modo a provocar a discussão sobre a importância da C&T para o país. Nós fazemos, por exemplo, no Senado uma audiência pública por ano, para debater a necessidade de investimentos no setor para o crescimento do Brasil.

   Outra frente de trabalho que consideramos muito importante está ligada à educação científica. Acreditamos que o ensino das ciências é uma ferramenta fundamental para a formação do cidadão. Ele desenvolve nos alunos, além da transmissão de conhecimentos, habilidades como capacidade de observação, registro e análise de fenômenos. Trabalha, ainda, a capacidade dos jovens de propor ações e respeito à abordagem ética. Esses jovens serão cidadãos aptos a participar de discussões e decisões importantes para a sociedade.

   Para o senhor, quais medidas são prioritárias hoje para que o Brasil intensifique sua participação no mercado mundial no setor?

    Em termos de produção, nós temos um sistema bastante estável. Nós precisamos trabalhar o máximo possível para que nós tenhamos um sistema mais fluído possível, desde a geração de conhecimento até a aplicação desse conhecimento e, acima de tudo, manter um crescente fluxo de formação de recursos humanos.

   O investimento em recursos humanos nessas últimas quatro décadas, pelo menos, foi o que garantiu a evolução do setor de C&T no Brasil e o que proporcionou a estabilidade de várias instituições, como as universidades públicas e os centros de pesquisa. Está na hora das empresas absorverem mais este perfil de recursos humanos altamente qualificados. Mestres e doutores também devem ter seu lugar garantido nas empresas privadas. Nas públicas ou mistas isto já acontece.

   Disponibilizar bens provenientes de desenvolvimento científico e tecnológico para a população é um grande caminho para a melhoria de vida das pessoas e que certamente terá reflexo nos indicadores sociais. Políticas e investimentos estáveis são os principais instrumentos para que isto seja alcançado.

   Informações sobre as ações da Unesco podem ser obtidas no site www.unesco.org.br.

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2 - Inicia-se nesta semana a nova fase do PGE da ABIPTI  

      Já nesta segunda-feira (3), o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) e a ABIPTI deram início à nova etapa da construção do Plano de Gestão Estratégica (PGE) da Associação. Trata-se da avaliação e consolidação dos dados apurados no processo de consulta pública online, que terminou nesta sexta-feira (30).

   O questionário eletrônico com 15 perguntas foi enviado para 244 e-mails de associadas e demais atores do SNCTI que se relacionam com a Associação. O objetivo foi saber a opinião das associadas e dos parceiros sobre a imagem atual e o papel futuro da ABIPTI.

   De acordo com a consultora responsável pelo projeto na Associação, Leoni Lüdke, o resultado preliminar desta etapa foi satisfatório e colaborará significativamente para a construção do PGE. A ABIPTI teve o retorno de 27% das instituições consultadas.

   “As contribuições foram positivas porque validaram as questões levantadas na primeira etapa do processo e, também, contribuem com novas sugestões para a definição da visão de futuro, o foco de atuação e diretrizes estratégicas de ação a serem implementadas”, afirma.

   Segundo ela, as informações servirão para que a ABIPTI tenha condição de se reestruturar, se reposicionar estrategicamente no ambiente de CT&I do país e, principalmente, atender melhor às demandas de suas associadas.

   O material levantado será incorporado aos dados das entrevistas realizadas entre janeiro e março deste ano. Nesta fase, foram ouvidas 34 personalidades identificadas como importantes para o processo de construção do PGE. Os dados formarão as matrizes swots, que balizarão as discussões do workshop.

   “O plano é decisivo para a ABIPTI porque significa inaugurar uma nova etapa para a Associação. Ela precisa repensar e redefinir o seu espaço, tendo as suas associadas como o foco principal”, avalia o diretor do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Antonio Carlos Filgueira Galvão. A expectativa é concluir o PGE até agosto deste ano. O documento está sendo elaborado pela equipe técnica do CGEE e ABIPTI, desde o último trimestre de 2009.

   O resultado desses dois processos, entrevistas e consulta pública, será avaliado por um grupo de atores especializado na área de ciência de tecnologia, que além da validação das informações, também definirá as questões centrais para balizar o PGE, durante o workshop. 

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3 - CDTN lança edital para curso de doutorado

   A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) aprovou o curso de doutorado do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN) em fevereiro deste ano. Com início previsto para agosto, o curso destina-se a graduados em uma das seguintes áreas: engenharias, ciências exatas, ciências da terra ou ciências da saúde. Entre os requisitos é exigível grau de mestre.

   O curso será composto de três áreas programáticas. De acordo com o coordenador da pós-graduação do CDTN, professor Rubens Martins Moreira, a área de concentração “Ciência e Tecnologia das Radiações” cobre os princípios teóricos, as metodologias e a metrologia na base das aplicações das radiações ionizantes na medicina, biotecnologia, farmacologia e processamento de alimentos.

   Outra área contemplada é “Ciência e Tecnologia dos Minerais e Meio-Ambiente”, que abrange as interações entre atividades de prospecção mineral, mineração, processos mínero-metalúrgicos e o impacto que as mesmas causam ao meio-ambiente, levando em consideração as bases geológicas e geoquímicas e técnicas que podem ser utilizadas para minimizar ou remediar os impactos ambientais e a recuperação de metais de valor agregado.

   “Adicionalmente são consideradas as aplicações das radiações e de técnicas baseadas em princípios nucleares tanto à mensuração, modelagem, otimização e controle de processos industriais, como à investigação dos mecanismos naturais e da dinâmica de sistemas ambientais”, completa Moreira.

   A terceira área programática é “Ciência e Tecnologia dos Materiais”. O objetivo, segundo o coordenador, é o estudo de materiais de interesse tanto do setor nuclear quanto de outros setores estratégicos para o desenvolvimento tecnológico do país.

   “A meta é promover a competitividade da indústria nacional, formando recursos humanos altamente capacitados e especializados na pesquisa e desenvolvimento de novos materiais nucleares e não nucleares, em consonância com as prioridades da Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (Pitce). Será oferecida uma formação interdisciplinar e flexível compatível com as necessidades do mercado de trabalho e de C&T no país”, frisou.

   Demanda
   
De acordo com Moreira, foram cinco as razões básicas para submeter à Capes o pedido: a necessidade de avançar mais na pós-graduação em conformidade com a dinâmica natural desta atividade; recomendações e incentivos de pessoas de dentro e fora do CDTN; inexistência local de oferta de doutorado em áreas de concentração que o centro pode oferecer; perspectiva de retomada das atividades nucleares no país e no mundo.

   Esta demanda, segundo o coordenador, originou-se de profissionais do próprio centro, que já possuem o grau de mestre, e de ex-alunos. Já do ponto de vista de demandas sociais, Moreira enumera: radioproteção, radiodiagnóstico médico e odontológico, dosimetria, metrologia das radiações X, beta e gama; aplicação das radiações ionizantes no desenvolvimento biotecnológico de vacinas, probióticos, bioremediadores, moléculas marcadas com radionuclídeos para diagnóstico e terapia, e estudos de biosegurança alimentar; entre outros.

   “Com o crescente desenvolvimento das atividades de pesquisa nas universidades brasileiras nestas últimas décadas e com os resultados positivos que inegavelmente vêm sendo alcançados por este esforço, as instituições de pesquisa tecnológica (IPTs) estão sendo desafiadas em seu próprio campo de atuação. Pressupondo-se que também elas geram conhecimentos, é legítimo que os mesmos possam e devam ser repassados aos jovens profissionais que iniciam suas carreiras”, afirma Moreira.

   Segundo ele, a Capes compreendeu este processo e facultou às IPTs a possibilidade de instituir curso de pós-graduação stricto-sensu, desde que cumpridas as mesmas exigências atribuídas às próprias instituições de ensino superior, em termos de adequação do corpo docente, instalações, grade curricular, produtividade, entre outros requisitos.

   “Estou convicto que a iniciativa de um grupo de colegas de criar a pós-graduação foi um dos principais marcos nas mais de cinco décadas de história da nossa instituição”, declarou.

   As inscrições para o processo seletivo podem ser feitas de 10 de maio a 15 de junho e a seleção será entre 1º e 9 de julho. O edital está disponível neste link.

   Marco Legal
    Questionado sobre a permanência dos pesquisadores doutores nas empresas que, na maioria das vezes, são galgados para outros locais, fazendo-se “perder” o conhecimento que poderia ser investido naquela instituição, Moreira acredita que essa “perda” deve ser relativizada.

   “Desde que o doutor efetivamente exerça sua profissão ou de alguma maneira coloque em prática os conhecimentos adquiridos, ele estará sendo útil para a sociedade, nela incluída até mesmo a instituição. O sentimento da ‘alma mater’ é outra razão que de alguma maneira e em algum grau o manterá vinculado com a instituição que o formou e a ela renderá algum retorno”, argumenta.

   Para ele, não há dúvida que a instituição muito lucraria com a permanência do pesquisador doutor por ela formado. Na sua visão, em um país livre isto só pode ser legitimamente conseguido mediante a garantia de algum tipo de gratificação, sejam em termos salariais, contratuais, as condições de trabalho, autonomia ou grau de liberdade, interações com outras instituições, o reconhecimento de alguma espécie.

   “Aliás, o reconhecimento mais importante deveria ser o da própria sociedade e do Estado em relação à vital importância da CT&I, consubstanciado numa política conseqüente. No caso específico de uma IPT do serviço público, são notórias as limitações a este desideratum. Meu sentimento atual é que pior que salários medíocres, orçamentos minguados e outras tantas desditas, é o malfadado anacronismo do marco legal da CT&I no país, um imbróglio de leis anacrônicas e conflitantes, que anulam quaisquer esforços para avanços”, contesta.

   O coordenador usa como exemplo a Lei da Inovação. Sancionada em 2004, as dificuldades, segundo ele, regulamentares para efetivamente fazê-la valer são tantas que para os profissionais, doutores atuais e futuros incluídos, nada mudou, ou mesmo piorou. “Para reverter situações desestimulantes, paralisantes que nem essa só com um trabalho coletivo bem amplo, responsável e informado. Penso que instituições como a ABIPTI, SBPC, Protec e tantas outras, em função de sua maior agilidade e liberdade de ação, têm um papel fundamental neste processo”, conclui.

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4 - PEG entra em nova etapa

   O Programa da Excelência na Gestão (PEG) entra em uma nova etapa. De 3 a 14 de maio, consultores sanarão as dúvidas dos interessados relativas ao Relatório de Gestão (RG). Os encontros serão realizados nos mesmos locais das capacitações, já realizadas regionalmente, com o apoio da ABIPTI.

   A coordenadora do PEG, Bibiana Marcondes de Moura, lembra que os especialistas não escreverão o RG com as instituições. “Os interessados tiveram até o dia 23 de abril para fazerem o pedido de apoio dos consultores. O prazo foi encerrado e agora entramos na fase de elaboração dos documentos”, afirmou.

   Nas regiões Centro-Oeste, Nordeste e Norte, o encontro será realizado nas cidades de Brasília (DF), Recife (PE) e Manaus (AM), respectivamente, entre 3 e 7 de maio. Nas regiões Sudeste e Sul, as reuniões acontecerão nas cidades de Belo Horizonte (MG) e Curitiba (PR), de 10 a 14 de maio.

   O PEG é desenvolvido pela ABIPTI, com o apoio financeiro da Finep. A participação dos associados é importante para a conquista de um novo patamar de desempenho organizacional para as entidades participantes, com vistas à conseqüente melhoria do Sistema Nacional de CT&I.

   PEG DA ABIPTI
   A ABIPTI utiliza conceitos do Modelo de Excelência em Gestão (MEG), desenvolvido pela Fundação Nacional de Qualidade (FNQ), dentro do Programa da Excelência na Gestão (PEG), que é destinado a seus associados.

   Os critérios de orientação para a melhoria do desempenho das empresas envolvem itens como a análise do desempenho da organização, formulação e implementação estratégias, relacionamento com o cliente, responsabilidade socioambiental, capacitação e processos. A etapa final baseia-se na análise e divulgação resultados alcançados.

   Para saber mais sobre o PEG da ABIPTI acesse o www.abipti.org.br/otg.

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5 - Tecnologia sustentável: Cetec lança programa socioambiental e estimular ações responsáveis no setor

   O Centro Tecnológico de Minas Gerais (Cetec) lançou, no final do mês de abril, o Programa Cetec Responsável. Trata-se de uma iniciativa abrangente de gestão socioambiental, que prevê ações direcionadas ao público interno e externo e que contempla atividades como a promoção da ética e transparência na instituição, compra consciente e o gerenciamento de resíduos laboratoriais.

   Segundo a presidente da Comissão Socioambiental da instituição, Eloisa Silva Neves, a proposta é conscientizar toda a cadeia de relacionamento da entidade sobre a importância da valorização da questão socioambiental, por meio de ações que contribuam para a mudança de atitudes em relação ao meio ambiente e à sociedade. “A iniciativa foi desenvolvida de acordo com as diretrizes estabelecidas pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, a quem o Cetec é vinculado”, destaca.

   Organizado em seis frentes de atuação, que somam dezesseis projetos específicos, o programa foi planejado após colaboradores do centro tecnológico participarem de curso sobre a temática ofertado pela Fundação de Educação para o Trabalho de Minas Gerais (Utramig), que envolveu diversas instituições do Estado.

   “Ao término das atividades, os grupos apresentaram uma proposta para a construção de uma política de gestão socioambiental a ser implantada nas respectivas instituições”, explica Eloisa Neves. A proposta incluiu ações que Cetec já desenvolve ou desenvolveu, na área social e ambiental.

   A política de gestão socioambientalmente correta do órgão envolve os programas: Responsável E&T, que objetiva promover ética e transparência na instituição; Responsável conscientizar, que tem como meta estimular a gestão participativa do público interno; Amigos do Cetec, voltado para realização de atividades ambientalmente corretas e criação de uma rede de fornecedores para realização de compras sustentáveis; Responsável Apoiar, que pretende criar uma rede de parceria para desenvolvimento de projetos de cunho sócioambiental; Responsável Integrar, que desenvolverá práticas responsáveis junto à comunidade; e Gerenciamento de Resíduos, que visa a minimização, tratamento e gerenciamento dos resíduos laboratoriais.

   Cada programa e os seus respectivos projetos possuem cronogramas e atividades específicas. Neste ano, a instituição estuda priorizar quatro programas, sendo que dois deles já têm atividades em curso. Exemplo é o gerenciamento de resíduos, que tem como estratégia prioritária minimizar a geração de desperdícios por meio da implantação de tecnologias limpas e da utilização racional dos recursos naturais e de produtos químicos.

   O Cetec possui em seu campus um entreposto de resíduos químicos que é o primeiro construído no Estado de Minas Gerais. Ele prevê o reaproveitamento de produtos químicos residuais junto a instituições públicas de ensino e conta com uma estação de fototratamento de rejeitos para redução de seu perigo e volume. “Sua construção levou em conta critérios rigorosos de segurança para garantir o manejo e a estocagem seguros de produtos perigosos”, conta a presidente da comissão.

   Destaque também para o projeto Tecnoarte - Criatividade no Ensino Médio - realizado pelo centro desde 2008. A iniciativa objetiva o desenvolvimento da criatividade nos alunos do ensino médio e beneficia atualmente estudantes de duas instituições de ensino: Escola Estadual Técnico-Industrial Professor Fontes e Escola Estadual Dom Pedro II.

   “Os alunos aprendem teorias científicas produzindo vídeos, cartazes digitais, dentre outros trabalhos. Para a realização da iniciativa, foram inaugurados dois laboratórios de multimídia e bolsistas do Cetec ministram o curso de multimídia para os estudantes”, completa Eloisa Neves. No pacote estão incluídos programas como o Adobe Photoshop e Flash Player.

   Para garantir a implementação e a perenidade do programa, a instituição planeja mobilizar vários parceiros, tanto da iniciativa privada, quanto da pública. Hoje a lista de entidades parcerias já traz a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad); Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam); Prefeitura de Belo Horizonte; Centro Mineiro de Referências em Resíduos (CMRR); entre outros. Já os recursos financeiros são oriundos de agências financiadoras, parcerias e patrocínios.

   Tecnologia do bem
   
O Cetec desenvolve, ainda, algumas ações isoladas como o projeto ‘Manejo Sustentável da Fava D’Antas nas Gerais’. A iniciativa surgiu após diagnóstico socioeconômico e ambiental feito por pesquisadores do centro. O objetivo é ocupar a mão-de-obra não especializada dos trabalhos rurais, melhorar a qualidade da alimentação da comunidade local de Bonfinópolis de Minas e contribuir para que os geraiseiros (populações tradicionais que vivem nos cerrados do Norte de Minas) parem de desmatar o Cerrado e usar a madeira para fabricação de carvão.

   A iniciativa oferta oficinas de artesanato e culinária e somente em 2008, 200 famílias foram certificadas. As pessoas capacitadas participam de feiras para exposição e degustação dos produtos produzidos a partir de frutos típicos da região, como jatobá, pequi, araticum, mangaba, cagaita, marmelo e o cajuzinho. “Com esse curso, muitos moradores estão deixando de ter como fonte de renda os trabalhos que envolvem o desmatamento da região”, diz Eloisa Neves. O projeto foi classificado em segundo lugar, na categoria responsabilidade social empresarial, do Prêmio Cidadãos do Mundo 2008, realizado pelo Jornal Hoje em Dia.

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6 - Entib oferece formação técnica e acadêmica em tecnologia industrial

   A Escola Nacional de Tecnologia Industrial (Entib) oferece cursos de formação técnica e acadêmica no campo da tecnologia industrial, com destaque para metrologia, normalização, avaliação da conformidade e tecnologias de gestão.

   “Fazendo uso do que há de mais recente nas tecnologias de educação à distância, se constitui numa solução eficaz, integrada e econômica para a qualificação de profissionais, especialmente em empresas com unidades operacionais dispersas geograficamente”, afirma Pedro Paulo Rosário, secretário executivo da Sociedade Brasileira de Metrologia (SBM).

   Segundo ele, a Entib é acessível a empresas de qualquer porte, profissionais autônomos e estudantes interessados em melhorar sua qualificação nas áreas das tecnologias industriais. “Embora tenha um fio condutor baseado em aspectos que caminham para a vertente da sustentabilidade, a escola não abandona as características intrínsecas que a tecnologia industrial tem como premissas: metrologia, normalização, avaliação da conformidade e as tecnologias de gestão”, lembra.

   A Entib opera a partir de um portal de aprendizagem, que integra tutores, docentes e todos os serviços de informação, com o objetivo de maximizar o desempenho dos alunos. São oferecidas inscrições para módulos integrais ou para disciplinas isoladas, de acordo com as necessidades das empresas e dos profissionais.

   Para Rosário, a escola foi concebida de forma a incorporar a dimensão técnico-científica de forma crítica e reflexiva. “Buscamos estimular a autonomia e o aprendizado através da articulação entre professores e alunos com o propósito de trabalhar novos conhecimentos”. Ele lembra que o método de ensino leva em consideração a experiência profissional dos alunos e professores.

   A Entib é uma realização da Sociedade Brasileira de Metrologia, com o apoio da Finep, MCT, Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) e Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

   Mais informações sobre os programas de ensino da Entib podem ser obtidas pelo site www.entib.org.br.

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7 - Secretário executivo do MCT destaca necessidade de debate desafiador durante a 4ª CNCTI 

   O secretário executivo do MCT, Luiz Elias, desafiou, no dia 15 de abril, em Maceió (AL), os gestores públicos e governadores a apresentarem uma agenda mais estratégica voltada para a área de CT&I. Ele foi uma das autoridades que participou do primeiro dia de debates da Conferência Regional Nordeste de Ciência, Tecnologia e Inovação.

   “Precisamos de uma agenda mais ousada, que integre e articule todos os entes da federação e demais atores envolvidos, mas principalmente, que tenha como foco o padrão de desenvolvimento, o crescimento e a redução das desigualdades que queremos, com sustentabilidade”, afirmou.

   De acordo com ele, a 4ª Conferência Nacional de CT&I (CNCTI) será um momento oportuno para essa discussão. Elias lembrou que os secretários e presidentes de fundações de amparo à pesquisa (FAPs) têm como responsabilidade transbordar o conjunto de proposições que surgiram nas cinco conferências regionais, olhando a CT&I na sua dimensão territorial.

   “Temos a oportunidade de cada uma das cinco regiões do Brasil chegar à 4ª CNCTI de forma estruturada e de pensar numa dimensão de agenda diferente para o período 2011-2020”, disse o secretário.

   Ele ainda destacou a necessidade de se consolidar a estrutura da relação do pacto federativo com as FAPs e secretarias estaduais de C&T, dando um novo direcionamento para se fazer política não apenas sob a ótica federal. “Portanto, a importância dessas conferências é muito significativa”, lembrou.

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8 - Conferência no Nordeste propõe soluções sustentáveis para os problemas locais  

   Plenária realizada no dia 16 de abri, durante a 4ª Conferência Regional Nordeste de Ciência, Tecnologia e Inovação, realizada em Maceió (AL), apresentou alternativas sustentáveis para solucionar problemas locais, além de promover o desenvolvimento da região. São iniciativas para água, agropecuária e energia.

   O Instituto de Ciências Atmosféricas da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) propôs como modelo para armazenar água de forma segura em comunidades pequenas a perfuração de poços no Cristalino e dessalinizar a água saloba. Para propriedades isoladas, a alternativa é utilizar cisternas. “Água de má qualidade é o que mais mata as crianças no Nordeste”, destacou o pesquisador da instituição, Luiz Carlos Baldicero Molion.

   Já no setor da agropecuária, estudos da Ufal apontam para a necessidade de se investir em animais de pequeno porte, como as culturas de caprinos, ovinos, suínos e aves. “Investir em boi não é para a gente aqui”, disse Molion. Ainda segundo o especialista uma alternativa lucrativa e sustentável é apostar na fruticultura, vocação do Nordeste. “Podemos produzir frutas para exportação, a exemplo de Israel que tem um clima semiárido também”, lembrou.

   Para a substituição por fontes limpas de energia, a proposta mais viável financeiramente é adotar a energia solar. “A termosolar (concentradores de calha parabólica) é uma excelente opção, por exemplo, para propriedades rurais”, pontua. De acordo com ele, atualmente a produção de KW por esta fonte custa cerca de US$ 2,5 mil e a potência é compatível com a das hidrelétricas. “Este é um excelente modelo para a realidade sertaneja, pois pode ser utilizado para irrigar áreas secas”, completa.

   Também vê como soluções viáveis a biomassa e o biocombustível. “Podemos apostar nas plantas oleagionsas, como o buriti”, disse. Segundo o pesquisador, é possível produzir cinco toneladas de óleo por hectare. No caso da biomassa, a produção deve vir por meio da queima da lenha e carvão, desde que se plante a madeira necessária.

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9 - Insa e Embrapa apresentam alternativas econômicas para o Semiárido 

   Com uma extensão de 969.589 Km², distribuídos por 1.133 municípios, o Semiárido brasileiro (SAB) oferece ao país grande potencial econômico, desde que respeitadas as condições climáticas da região, que abriga mais de 23 milhões de brasileiros. Esta é a avaliação do Instituto Nacional do Semiárido (Insa) e da Embrapa Semiárido de Petrolina (PE).

   Para o diretor-adjunto do Insa, Alberício Pereira de Andrade, para estimular o desenvolvimento da região é imprescindível, primeiramente, desconstruir o conceito de que irrigar a área é a única alternativa viável. “Nosso desafio requer um trabalho inovador, um rompimento de alguns conceitos construídos ao longo dos anos. Claro que água é fundamental, mas não é a única solução para o SAB”, destacou durante a 4ª Conferência Regional Nordeste de Ciência, Tecnologia e Inovação, realizada nos dias 15 e 16 deste mês, em Maceió (AL).

   Já o chefe-geral da Embrapa, Natoniel Franklin de Melo, ressaltou que o Semiárido brasileiro é o mais chuvoso do mundo e desta forma é fundamental intensificar os investimentos em soluções para o armazenamento deste bem natural. “Uma alternativa que já se estabeleceu como política pública e que tem se mostrado eficiente é a construção de cisternas públicas”, lembrou.

   Dentre as iniciativas que podem modificar o cenário de pobreza comum a várias localidades do SAB apontadas pelos especialistas, destaque para a substituição do cultivo de culturas tradicionais por organismos xerófilos (adaptado ao meio seco). Isto significa trabalhar como cultivo regular as plantas nativas e as adaptadas às peculiaridades locais. São plantações como imbuzeiro, maniçoba, umbu, caju, mamãozinho-de-veado, entre outros.

   “Nós não conhecemos a nossa diversidade. É fundamental investir em pesquisa, ciência e tecnologia para aproveitar esse potencial”, reforçou Natoniel de Melo. Para ele, o desenvolvimento de ações neste sentido fortalecerá o comércio exterior e também garantirá a segurança alimentar da população, formada principalmente por famílias de baixa renda.

   Exemplo é o município de Petrolina (PE), que tem apostado na agricultura irrigada e se tornou um grande exportador de frutas, movimentando cerca de R$ 500 milhões por ano. “Só no plantio e colheita da uva são gerados cerca de 70 mil empregos”, disse Natoniel de Melo. Ele também lembrou que a maior parte do solo do Semiárido se estende por rochas cristalinas e desta forma é preciso intensificar ações de PD&I para viabilizar sistemas de produção agrícola nestes locais, além de incentivar o desenvolvimento técnico para novos cultivos e melhoramento genético dessas espécies.

   Outro nicho promissor apontado é o mercado de carbono. Para o Insa é fundamental maximizar o número de pesquisas com foco no Semiárido, pensando sempre na economia de baixo carbono. “Nós somos relativamente uma região limpa, com poucas entradas de agrotóxicos e esse é o maior cartão de visitas do SAB. É importante agregar valor aos produtos produzidos aqui, mostrando que eles têm qualidade e emitem poucos gases de efeito estufa para a atmosfera”, disse o diretor do Insa.

   Ainda segundo os pesquisadores, devem ser priorizadas iniciativas para o manejo da água, conservação pós-colheita e mudanças nas condições de educação, apostando na educação contextual. “O estudante precisa reconhecer o seu espaço, saber onde ele vive e o que pode fazer para conservar e viver bem naquelas condições naturais”, explicou Alberício Pereira.

   A Embrapa destacou que hoje o potencial de mercado do SAB está focado na bacia leiteira, vinicultura, oleicultura, fruticultura irrigada e no artesanato. “O que se deve fazer agora é agregar valor a estes produtos, e isto elevará o potencial de geração de emprego e renda”, completou.

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EXPEDIENTE  ______________________________________________

   ABIPTI - Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica

   Presidente:
   Isa Assef dos Santos

   Vice-Presidentes:
   Alfredo Gontijo de Oliveira,
   Antônio Diomário de Queiroz,
   João César Dotto,
   José Geraldo Eugênio de França e
   Michel François Fossy

   Informe ABIPTI

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