Nº 009 - janeiro de 2010 - Ano 01

LNLS nacionaliza tecnologia de soldagem da Tela Premium

Bianca Torreão

   O Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) firmou, no ano passado, uma parceria inédita que contempla a indústria petrolífera nacional. A instituição e a empresa campineira Adest assinaram um contrato que consiste na nacionalização da tecnologia de soldagem da Tela Premium, equipamento utilizado para extrair petróleo do fundo do mar.

   A tela contém um material filtrante que possibilita a obtenção de um óleo livre de terreno arenoso. No entanto, este composto é produzido por apenas três empresas em todo o mundo, nenhuma brasileira. O que o LNLS fez foi nacionalizar a técnica, possibilitando que empresas brasileiras, como a Petrobras, possam optar por fornecedores locais.

   Para o diretor do LNLS, José Roque, com a iniciativa, o laboratório deu mais um importante passo para fazer com que o conhecimento gerado na academia e instituições públicas de pesquisa chegue à sociedade. “Nós só conseguimos desenvolver tal produto em virtude de termos o domínio – por causa do acelerador de partículas do LNLS – de tecnologias altamente sofisticadas”, afirma.

   Parcerias
    De acordo com Roque, a instituição procura oferecer para a academia e indústria, indistintamente, sempre o melhor em instrumentação e apoio ao fazer científico. Roque explica que, no caso da indústria, há uma demanda natural por conhecimento aplicado.

   “Contudo, o problema está no perfil de interesse das próprias empresas, pois elas procuram por soluções rápidas que nem sempre vão ao encontro da necessidade de capacitação que um pesquisador precisa ter nem, tampouco, com o tempo que a realização da pesquisa pede”, diz.

   Segundo ele, o LNLS busca se aproximar de indústrias que tenham um compromisso com o crescimento do país e com o desenvolvimento científico de recursos humanos. “Buscamos parcerias em que todos cresçam. Por outro lado, precisamos ser proativos para dar visibilidade ao setor industrial sobre as nossas competências”, destaca.

   Ele aponta como principal dificuldade para essa aproximação, a distância cultural entre os dois setores. Na sua opinião, é necessário que essa relação conte com interlocutores que saibam como dialogar e que entendam as diferentes expectativas e o papel de cada setor.

   “Além disso, tradicionalmente, a academia é um tanto hermética. Agora que está se abrindo, o faz com uma grande preocupação com a geração de patentes, o que é importantíssimo, mas não é tudo, pois precisamos medir de uma forma mais efetiva o sucesso de uma parceria”, afirma.