Bianca Torreão
O superintendente geral da Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (CERTI), Carlos Alberto Schneider, fala, em entrevista ao Informe ABIPTI, sobre a contribuição da instituição para o Sistema Nacional de CT&I. Ele também destaca a importância do LABelectron, laboratório-fábrica da fundação que é considerado fundamental para a Rede de Eletrônica para Produtos do Sibratec Inovação. “O laboratório-fábrica inspirou-se nos clusters de empresas especializadas, que dispõe de um centro de inovação, uma infraestrutura sofisticada de alto custo e uso compartilhado”, afirma.
Como o senhor avalia a contribuição da Fundação Certi ao Sistema Nacional de CT&I?
A Certi foi criada com a missão de apoiar as empresas no desenvolvimento de produtos e processos com inserção de tecnologias avançadas. Isto hoje é o que se entende por inovação tecnológica e percebe-se como altamente estratégico para o país. Nos seus 25 anos de existência, a Certi atuou de forma relevante na vertente 1 do Sistema Nacional de CT&I, não apenas apoiando empresas a lançarem produtos inovadores, mas também no empreendedorismo inovador e na estruturação de eficientes mecanismos de promoção da inovação.
O senhor poderia citar alguns desses mecanismos?
Podemos citar a formulação de políticas públicas, redes de cooperação, incubadoras de empresas, parques tecnológicos e laboratórios-fábrica, como é o caso pioneiro e marcante do LABelectron, que hoje é elemento chave para a Rede de Eletrônica para Produtos do Sibratec Inovação. O reconhecimento nacional desta contribuição ao Sistema de CT&I traduz-se na conquista do Prêmio Finep de Inovação pela Fundação Certi em 2009.
O conceito do Laboratório-Fábrica é pioneiro no país. Como tem sido a atuação do LABelectron desde a sua implantação?
O laboratório-fábrica inspirou-se nos clusters de empresas especializadas, que dispõe de um centro de inovação, uma infraestrutura sofisticada de alto custo e uso compartilhado. A este conceito, adicionamos ainda o uso desta mesma infraestrutura operativa para fins de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e prototipagem.
Desde a sua implantação em 2002, viabilizada com o apoio do MCT e Alcatel, o laboratório-fábrica tem sua planta utilizada intensivamente pela Certi e a empresa operadora para a produção de placas eletrônicas em pequenas séries e prototipagens, assim como para o projeto da eletrônica de produtos inovadores, de P&D de processos de manufatura e qualificação.
Esta mesma infraestrutura é também utilizada intensivamente para P&D e capacitação de recursos humanos de entidades do Consórcio Tecnológico (Contec). Ao longo dos seus oito anos de atuação, o LABelectron acumula o atendimento a mais de 65 clientes de todas as regiões do país, tendo prototipado mais de 40 novos produtos e montado mais de 1 milhão de placas.
O laboratório conta com a contribuição de pesquisadores do Consórcio Tecnológico, que envolve instituições como a Unisul, o Senai/Florianópolis, a Acate e o IFSC. Como tem sido essa parceria para o andamento das atividades do LABelectron?
O Consórcio Tecnológico do LABelectron (Contec) proporciona a estudantes e pesquisadores de universidades e centros educacionais e tecnológicos aplicar na prática conhecimentos teóricos e estudos avançados em manufatura eletrônica, fazendo uso do ambiente real de manufatura do LABelectron.
Os resultados destes estudos/pesquisas são voltados à melhoria contínua dos processos do LABelectron, ou seja, uma pesquisa focada nas necessidades da indústria eletrônica. Por meio do Contec, o LABelectron recebe anualmente a visita de mais de 300 estudantes, já desenvolveu mais de 43 projetos, diversos trabalhos de conclusão de cursos de graduação, assim como dissertações de mestrado e teses de doutorado.
O LABelectron foi inserido no Programa Prioritário HardwareBR, do MCT. Como o senhor avalia a participação do laboratório na iniciativa?
O LABelectron foi, de fato, o indutor da criação do Programa Prioritário HardwareBR da Lei de Informática, o qual veio, conforme declarado pelo secretário Augusto Gadelha em evento comemorativo aos três anos do Projeto LABelectron Nucleador, suprir a lacuna até então existente nos programas prioritários da Lei de Informática, para o desenvolvimento do hardware eletrônico de produtos inovadores. Neste sentido, o Programa HardwareBR promove o fomento nas vertentes de projeto eletrônico integrado, manufatura de excelência e qualificação de produtos e tem, como primeiro projeto apoiado, o Projeto LABelectron Nucleador, financiado com o aporte das empresas beneficiárias da Lei de Informática.
Como é a produção do LABelectron e quais setores são contemplados?
A atuação do LABelectron é centrada na busca do domínio tecnológico dos processos de manufatura eletrônica e no desenvolvimento de soluções de produção em pequenas séries, com grande flexibilidade e elevada qualidade. Para atender aos constantes desafios em termos de diversidade de produtos, prazos, logística, custos e qualidade impostos por seus clientes, estruturou um inovador modelo de célula de Introdução de Novos Produtos – NPI, que preconiza a elaboração de procedimentos fabris, o estabelecimento de parâmetros específicos de processo e programação ágil dos equipamentos para o atendimento das diversas demandas de seus clientes.
Como eletrônica é chave em produtos de qualquer setor, o LABelectron já atendeu clientes dos seguintes segmentos: instrumentos de medição, equipamentos elétricos, máquinas e equipamentos, automação industrial, automação bancária, telecomunicações, segurança e automação predial, médico-hospitalar, linha branca, veículos elétricos, etc..
A Fundação Certi é uma instituição associada à ABIPTI. Na sua opinião, qual é a importância da associação para o SNCTI?
Neste momento em que a importância e o entendimento da complexidade da inovação estão percebidos, sendo necessário agora praticar o desenvolvimento de produtos e processos internacionalmente competitivos, o papel dos institutos tecnológicos, representados nacionalmente pela ABIPTI, passa a ser prioritário, e o apoio da nossa Associação é fundamental para a adequação das políticas públicas de CT&I.
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