Isadora Lionço
Avaliar o grau de facilidade com que as pessoas usam um aparelho ou objeto para um determinado fim. Com este objetivo, o Instituto Recôncavo de Tecnologia inaugurou recentemente um laboratório de usabilidade.
De acordo com o diretor-geral da instituição, Mario Cezar Freitas, por meio da iniciativa será possível avaliar a interação homem-máquina e descobrir quais percepções as pessoas têm das funcionalidades para se chegar ao maior grau de satisfação do uso do aparelho ou objeto.
Segundo ele, o laboratório garante que os produtos desenvolvidos pelo Instituto Recôncavo, e entregues às empresas para comercializar, foram analisados para que sejam os melhores possíveis.
São vários os critérios avaliados nos produtos. No caso de celulares, por exemplo, o laboratório vai permitir verificar se o uso é intuitivo, se as cores estão adequadas, se a posição do texto está boa e se o mesmo está claro. Já em portais ou outros softwares será possível avaliar como o usuário navegou nas telas e quanto tempo levou para realizar uma tarefa.
“No processo são gravados todos os movimentos, sons e expressões que ocorreram quando a pessoa usou o aplicativo. Esta atividade é tão importante que já existe a expressão engenharia de usabilidade”, frisou.
Freitas lembra que o objetivo é atender ao consumidor. Nesse sentido, os testes são realizados para que se obtenha a melhor satisfação no uso do aparelho que, segundo ele, deve ser intuitivo sem a necessidade de ajuda de outras pessoas ou a consulta a manuais.
Inovação
Como uma sociedade sem fins lucrativos que visa desenvolver projetos inovadores, o Instituto Recôncavo de Tecnologia está alinhado com a proposta brasileira de investir em inovação como forma de estimular o desenvolvimento científico do país.
Questionado sobre a importância do segmento de institutos privados no cenário de ciência e tecnologia nacional, Freitas disse que o Brasil precisa avançar muito para ter produtos exportáveis de alto valor agregado e que possam competir no mundo.
“A competição globalizada é implacável. Quem não tem velocidade para inovar passa a ser apenas um consumidor. Evidente que queremos consumir novos produtos e que sejam inovadores, mas precisamos também produzir em escala maior do que consumimos. Esse é um enorme desafio do Brasil”.
Ele acredita que nosso modelo de ciência, pesquisa e inovação ainda dependente muito das universidades, o que diferencia o país do restante do mundo, onde a maioria dos pesquisadores fica nas empresas, local em que a inovação acontece.
Para o diretor-geral, os institutos tecnológicos têm um papel importante nesse meio entre a academia-empresa, uma vez que eles podem viabilizar a agilidade que tanto é necessária para as empresas lançarem as inovações.
“Enquanto as universidades formam profissionais e buscam novos conhecimentos, os institutos aplicam o conhecimento existente, ligam soluções existentes criando novas propostas para resolver problemas em prol de uma vida melhor”, conclui. |