Isadora Lionço
Está em andamento no CPqD o projeto Terminal Público Multisserviços, baseado no protocolo IP (TP-IP) que, em comparação com o modelo de telefone público atual, possibilita abrir caminho para o desenvolvimento de novos serviços, utilizando a capilaridade da telefonia pública e da internet. Um dos objetivos da iniciativa é promover a universalização do acesso às informações e o incentivo à inclusão digital da população de baixa renda.
De acordo com a coordenadora do projeto, Elizabeth Betanho, o TP-IP representa a evolução do telefone público atual, com a utilização de processadores modernos e a tecnologia de cartão indutivo, da qual o CPqD é o detentor. “O terminal TP-IP, produzido com tecnologia nacional, representa uma oportunidade de desenvolvimento para a indústria brasileira e novas possibilidades de negócios a serem exploradas pelas operadoras de telefonia pública”, acrescenta.
Para Betanho, o terminal em desenvolvimento oferece novas facilidades aos usuários como chamadas econômicas de voz sobre IP (VoIP), acesso sem fio Wi-Fi à internet banda larga, serviços de localização, transações eletrônicas como recarga de aparelhos celulares, e outras aplicações que posteriormente poderão ser desenvolvidas e incorporadas ao terminal TP-IP.
“Este terminal pretende ser uma plataforma de telefonia pública que tende a substituir gradativamente os telefones públicos atuais, em ambientes com infraestrutura adequada”, afirma Betanho, acrescentando que a nova plataforma proporcionará uma mudança na forma de exploração da receita com telefonia pública, uma vez que o serviço estará disponível em locais como restaurantes, lanchonetes, clubes, telecentros, escolas, shoppings, entre outros.
Quanto ao acesso dos usuários à nova tecnologia, Betanho diz que, por meio de uma interface gráfica, poderão selecionar e executar os serviços oferecidos como realizar chamadas telefônicas VOIP e enviar mensagens instantâneas via SMS. “A característica de ponto de acesso da plataforma permite que computadores portáteis e outros dispositivos com tecnologia WI-FI, dentro da cobertura do TP-IP, se conectem a internet”, esclarece.
Segundo Betanho, a tecnologia, além de incorporar novos serviços às regiões já atendidas pela telefonia pública atual, propicia sua instalação em locais onde haja a necessidade de cobertura de internet banda larga e/ou utilização dos serviços oferecidos pela plataforma TP-IP. “A expansão proporcionada pela plataforma TP-IP segue a proposta governamental de inclusão digital da população de baixa renda com o oferecimento de pontos de acessos à internet”, diz.
Etapas
De acordo com a coordenadora do projeto, o TP-IP está sendo desenvolvido em três fases que finalizam com a apresentação do protótipo com empacotamento eletromecânico.
Na primeira fase, as funcionalidades a serem desenvolvidas são: provimento do serviço de voz sobre IP para chamadas originadas e terminadas no terminal; interface para provimento de serviços de dados de mensagens curtas: SMS sobre IP; interface de cobrança - leitora de cartão indutivo para usuários locais e pré-pago junto à prestadora de serviços; e interface externa de acesso ao backhaul IP ADSL.
Já na segunda fase do projeto está previsto o desenvolvimento do terminal utilizado como ”Access Point” via rede Wi-Fi; interface de cobrança para usuários remotos Wi-Fi; implementação do serviço de localização: LBS; além de estudos e prospecções de outros serviços de valor adicionado.
E, na terceira e última fase do projeto, será incorporada uma leitora de smart cards para possibilitar, por exemplo, a leitura e carga de créditos em cartões refeição. Nesta fase também será incorporada uma interface externa de acesso ao backhaul IP via WiMAX; interface entre o TP-IP e sistemas de gerência baseados em SNMP e TR-69.
Os investimentos somam R$ 4 milhões, dos quais R$ 2 milhões são provenientes da Finep/Funtel, patrocinadora do projeto, e o restante do CPqD e da empresa Icatel, que atua como interveniente e parceira industrial. O lançamento está previsto para o ano de 2012.
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