Não há espaço na Finep para projetos na área de defesa, alerta Arbix
A Estratégia Nacional de Defesa, criada em 2008, prevê a construção de satélites geoestacionários, submarinos nucleares e outras tecnologias que vão demandar do governo federal investimentos bilionários. No 2º Seminário Estratégia Nacional de Defesa: Política Industrial e Tecnológica, realizado na Câmara dos Deputados, ontem (15), parlamentares ouviram do presidente da Finep, Glauco Arbix, que não há espaço no orçamento do órgão e do MCTI para estes projetos.
“Não há lugar para esses projetos na área de créditos não-reembolsáveis. O nosso orçamento é pequeno. Cada satélite e um reator multipropósito [usado em pesquisas nucleares] custa algo em torno de R$ 800 milhões”, alertou. “A Finep administra o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico [FNDCT], que não chega a R$ 3 bilhões por ano, é contigenciado e ainda sofre com os cortes do governo.”
Em 2011, foi investido R$ 1,7 bilhão do FNDCT. De acordo com Arbix, no Brasil o único instrumento capaz de crédito não-reembolsável é o fundo. Ele pediu aos deputados da Frente Parlamentar de Defesa Nacional que projetos como esses sejam incluídos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “Eles devem estar caracterizados como iniciativa do governo. O reator multipropósito serve para o combustível nuclear, mas antes de tudo é um fornecedor de radiofármacos”, explicou.
Para Arbix, caso o desenvolvimento dos equipamentos seja incluído no orçamento do MCTI, do Ministério da Defesa “o Brasil será construído à base do soluço. Um ano com R$ 40 milhões, R$ 30 milhões e no seguinte não haverá nada”.
Investimentos em defesa
Em 2011, a Finep multiplicou por quatro o investimento na área de defesa. A oferta de crédito para as empresas do setor atingiu a marca de R$ 1 bilhão. O valor corresponde a praticamente um terço de todos os contratos firmados pela financiadora.
Radares sofisticados, laboratórios móveis de emergência, equipamentos de visão noturna e Veículos Aéreos Não Tripulados (VANTs) são alguns exemplos de tecnologias desenvolvidas com recursos da Finep.
Os VANTs são feitos de fibra de carbono e têm 11 metros de comprimento de asa a asa. No lugar do piloto, serão instalados até sete sensores, três câmeras, um radar de vigilância e um link de satélite. Conhecido como Falcão, ele poderá fazer a vigilância de áreas de fronteira, monitoramento de locais remotos, como o interior da floresta amazônica.
Alguns equipamentos inclusive já estão em funcionamento. É o caso do Laboratório Móvel Químico e Biológico. Desenvolvida pelo Centro de Tecnologia do Exército (CTEx), a unidade é aparelhada com equipamentos para coleta e analises rápidas de substâncias suspeitas.
(Felipe Linhares para o Gestão C&T online)